
RQE em Geriatria: Quantos Médicos Têm o Título no Brasil
Última verificação normativa: 13 de setembro de 2026
O RQE (Registro de Qualificação de Especialista) em Geriatria é hoje o título de 3.167 médicos no Brasil, o equivalente a 1,49 especialistas para cada 100 mil habitantes e a apenas 0,7% do total de especialistas do país, conforme a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025), Atlas de Especialidades, p. 380. É um número pequeno, mas o retrato por trás dele é detalhado: quem são esses médicos, como chegaram ao título e onde estão registrados. Este artigo descreve esse retrato de estoque, ponto a ponto, com a fonte de página exata em cada afirmação. Ele não recomenda a entrada na especialidade nem projeta mercado de trabalho: a Demografia Médica no Brasil 2025 não traz esse tipo de dado, e este texto não extrapola além do que a fonte sustenta.
Quantos médicos têm RQE em Geriatria no Brasil
São 3.167 especialistas com RQE em Geriatria registrados no país, conforme a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025), Atlas de Especialidades, p. 380. Essa contagem de médicos com RQE em Geriatria corresponde a 1,49 especialistas por 100 mil habitantes, a razão nacional, e a 0,7% do total de médicos especialistas do Brasil na mesma fonte, o total de 353.287 especialistas de todas as áreas já detalhado no panorama geral do RQE no Brasil. É uma das especialidades menos numerosas do país em termos absolutos, mesmo levando em conta o crescimento expressivo dos últimos anos, que a seção final deste artigo detalha.
Vale uma ressalva sobre a forma de contar. A mesma fonte registra que os 3.167 especialistas correspondem a 3.425 registros de CRM, porque 258 indivíduos, 8,1% do total, estão inscritos em mais de uma UF (Unidade da Federação) e, por isso, aparecem mais de uma vez na contagem por registro. A Demografia Médica no Brasil 2025 já desduplica esse efeito no número de pessoas: 3.167 é a contagem correta de indivíduos, não 3.425. Este artigo usa sempre “3.167 especialistas” ao falar de pessoas, para não inflar o dado por conta de registro múltiplo.
Um exemplo concreto ajuda a dimensionar a escala. Imagine um hospital universitário de médio porte que atende 100 especialidades médicas diferentes em seu corpo clínico. Se a distribuição de especialistas nesse hospital espelhasse a proporção nacional, menos de 1 em cada 100 médicos especialistas do quadro seria geriatra, o equivalente aos 0,7% nacionais. É um retrato de escassez relativa, não de ausência: a especialidade existe e cresce, mas ainda é numericamente pequena diante do conjunto de especialidades médicas do país.
Quem são os geriatras registrados no Brasil
O perfil demográfico de quem tem RQE em Geriatria no Brasil é majoritariamente feminino e de meia-idade. Segundo a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 380), 62,1% dos especialistas em Geriatria são mulheres e 37,9% são homens. A idade média do grupo é 45,3 anos, com desvio- padrão de 11,8 anos, segundo a Tabela 8 (p. 218-219), o que indica uma faixa etária relativamente ampla ao redor dessa média. A página do atlas (p. 380) imprime 46,8 anos; a própria fonte traz os dois números, e usamos o da tabela.
A distribuição por extremos de idade reforça esse retrato de um grupo maduro, mas não envelhecido como categoria: 18,6% dos geriatras têm 55 anos ou mais, e 18,4% têm 35 anos ou menos, segundo a mesma fonte (p. 380). As duas pontas são, portanto, quase equivalentes em proporção, com a maior parte do grupo concentrada na faixa intermediária entre 35 e 55 anos.
Um exemplo concreto situa esses números. Imagine uma médica de 42 anos, que concluiu residência em Clínica Médica aos 28 anos e obteve o RQE de Geriatria aos 35, após alguns anos de prática clínica. Ela está exatamente na faixa etária intermediária que concentra a maioria dos geriatras brasileiros e no grupo majoritário por sexo (mulheres, 62,1% do total). É um perfil estatisticamente comum dentro da especialidade, não uma exceção.
Como esses médicos chegaram ao título: AMB, CNRM ou os dois
O gráfico “Origem do Título” da Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 380) mostra três fatias, e a distinção entre elas é a parte mais sensível deste artigo, porque uma leitura apressada do dado gera um erro fácil de cometer. Os três grupos são:
- 40,3% AMB (Exclusivo): título obtido só pela via da prova de título de sociedade médica. Esse médico nunca cursou residência credenciada em Geriatria, chegou ao título exclusivamente pela prova aplicada pela sociedade médica da especialidade.
- 3,8% CNRM (Exclusivo): título obtido só pela via de residência médica credenciada pela CNRM (Comissão Nacional de Residência Médica), órgão vinculado ao MEC (Ministério da Educação). Esse médico concluiu a residência e nunca precisou (ou optou por não) revalidar o título pela prova de sociedade médica.
- 55,9% Ambos (CNRM/AMB): o médico tem as duas vias, concluiu residência credenciada E é membro de sociedade médica pela prova de título.
A fatia de 55,9% é a que mais gera confusão e merece uma explicação direta: ela não é “nenhuma das duas vias” nem uma quarta categoria residual. É o oposto disso, é o grupo de médicos que reúne as duas vias ao mesmo tempo. Um médico nesse grupo concluiu a residência credenciada pela CNRM/MEC em Geriatria e, adicionalmente, também obtido o título pela prova de título de sociedade médica reconhecida pela AMB (Associação Médica Brasileira), a mesma especialidade certificada por dois caminhos formais distintos e não excludentes entre si.
Um exemplo concreto separa os três grupos com clareza. O médico A fez apenas a prova de título da sociedade médica de Geriatria, sem nunca ter cursado residência na área: ele está no grupo dos 40,3% (AMB Exclusivo). O médico B cursou a residência credenciada em Geriatria e nunca fez a prova de título posteriormente: ele está no grupo minoritário dos 3,8% (CNRM Exclusivo). O médico C cursou a residência credenciada E, em outro momento da carreira, também se submeteu e passou na prova de título da sociedade médica: ele está no grupo dos 55,9% (Ambos), o maior dos três. Para quem quer entender o passo a passo completo de cada uma dessas vias, incluindo requisitos documentais e prazos de edital, o hub de Geriatria do eumedicoespecialista, site irmão deste, mantido pela mesma casa editorial, detalha a jornada de prova de título e de residência ponto a ponto, o que foge do escopo deste artigo, dedicado ao retrato de estoque de quem já tem o RQE.
Onde estão os geriatras no Brasil
A distribuição geográfica de quem tem RQE em Geriatria é fortemente concentrada no Sudeste e nas capitais. Por região, segundo a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 380): Sudeste 58,1%, Nordeste 16,9%, Sul 14,1%, Centro-Oeste 8,6% e Norte 2,3%. Mais da metade dos geriatras do país está concentrada em uma única região, enquanto a região Norte reúne menos de 3% do total nacional.
O recorte por porte de município aprofunda essa concentração. A mesma fonte (p. 380) mostra que 65,1% dos geriatras estão em capitais, 19,1% em municípios do interior com população entre 100 mil e 300 mil habitantes, 15,4% em municípios do interior com mais de 300 mil habitantes e apenas 0,4% em municípios do interior com até 100 mil habitantes. Essa última fatia, 0,4%, é a mais reveladora do retrato: praticamente não há geriatra registrado em municípios pequenos do interior brasileiro.
Um exemplo concreto ilustra a distância entre extremos. Um paciente idoso que mora em uma capital do Sudeste está, segundo essa distribuição, na região do país com a maior concentração relativa de geriatras registrados (58,1% do total nacional está no Sudeste, e 65,1% do total nacional está em capitais, cruzando as duas variáveis). Já um paciente idoso de um município do interior com menos de 100 mil habitantes, em qualquer região do país, está no segmento geográfico que concentra apenas 0,4% dos geriatras registrados no Brasil, segundo a mesma fonte. Este artigo descreve o dado de distribuição de registro profissional, não a oferta real de atendimento nem a existência de barreiras de acesso, que exigiriam outra fonte específica para serem discutidas com rigor.
Outros títulos dos geriatras: a ligação forte com a Clínica Médica
Entre os 3.167 especialistas em Geriatria do Brasil, 2.436 também têm RQE em Clínica Médica, o equivalente a aproximadamente 77% de todos os geriatras registrados, segundo a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025), na tabela “Outros títulos dos especialistas em Geriatria” associada ao atlas da especialidade. É de longe o título mais comum entre os geriatras além da própria Geriatria, muito à frente do segundo colocado.
Essa ligação forte não é coincidência de escolha de carreira, é estrutura de edital. A SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), sociedade médica responsável pela prova de título de Geriatria, exige título de base em Clínica Médica como pré-requisito documental para habilitar o candidato à via de prova de título da especialidade. Esse mecanismo de pré-requisito em cascata, em que uma especialidade exige outra como porta de entrada, já foi detalhado com profundidade no artigo médico com mais de um RQE, que usa exatamente este mesmo par, Geriatria e Clínica Médica, como um dos dois exemplos centrais. Este artigo não repete a explicação completa do mecanismo, só registra o fato e remete o leitor interessado no passo a passo ao artigo irmão.
Depois de Clínica Médica, os títulos seguintes mais comuns entre os geriatras, segundo a mesma tabela (Scheffer, 2025), são Psiquiatria (331 especialistas), Medicina de Família e Comunidade (104), Medicina do Trabalho (95), Medicina Intensiva (52) e Cardiologia (51). A diferença de magnitude entre o primeiro colocado (2.436, Clínica Médica) e o segundo (331, Psiquiatria) é grande, o que reforça que a combinação Geriatria e Clínica Médica não é apenas a mais comum, é dominante entre as combinações possíveis.
Um exemplo concreto fecha essa seção. Um médico com RQE em Clínica Médica e RQE em Geriatria, via prova de título da SBGG, representa o perfil estatisticamente mais comum entre todos os geriatras do Brasil, presente em 3 a cada 4 especialistas da área, segundo o dado de 2.436 em 3.167. Um geriatra com RQE também em Psiquiatria, por outro lado, está em um grupo bem mais raro, cerca de 10% do tamanho do grupo de Clínica Médica.
Geriatria em crescimento: o que os números de 2011 a 2024 mostram
A Geriatria é uma das especialidades que mais cresceu em número de títulos no Brasil na última década e meia. Segundo a Tabela 6 da Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 211-213), distribuição temporal de títulos por especialidade, o número de especialistas em Geriatria passou de 662, em 2011, para 3.167, em 2024, um crescimento de +378,4% no período. Essa taxa coloca a Geriatria na 7ª posição entre as 55 especialidades listadas na mesma tabela, ranqueadas por crescimento percentual no período.
Vale registrar que esse número de crescimento vem de uma tabela diferente da usada no restante deste artigo: a Tabela 6 (distribuição temporal, p. 211-213), não a página 380 do atlas de especialidades usada nas seções anteriores. As duas fontes internas do mesmo relatório não entram em conflito: o total de 2024 na Tabela 6 (3.167) bate exatamente com o total do atlas de especialidades (3.167), o que serve como uma verificação cruzada de consistência dentro da própria Demografia Médica no Brasil 2025.
Um exemplo concreto situa a magnitude do crescimento. Se a Geriatria tivesse mantido o número de 662 especialistas de 2011 até hoje, sem nenhum crescimento, o Brasil teria hoje menos de um quinto do total atual de geriatras registrados. Em vez disso, o número quase quintuplicou em 13 anos. Para o ranking completo de crescimento entre as 55 especialidades da mesma tabela, incluindo comparação direta com outras áreas, veja o artigo especialidades que mais cresceram em RQE. Este artigo não repete esse ranking comparativo, é um estudo de caso aprofundado de uma única especialidade, a Geriatria, não um painel comparativo entre várias.
Este crescimento de estoque, por si só, não permite concluir que há déficit ou excesso de geriatras no país, nem que o momento é bom ou ruim para entrar na especialidade. A Demografia Médica no Brasil 2025 não traz dado de demanda de mercado, de vagas em aberto nem de remuneração para Geriatria, e este artigo não infere essas conclusões a partir do dado de estoque disponível.
Perguntas frequentes
Quantos médicos têm RQE em Geriatria no Brasil?
3.167 especialistas têm RQE em Geriatria no Brasil, o equivalente a 1,49 especialistas por 100 mil habitantes e 0,7% do total de especialistas do país, segundo a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 380).
O que significa ter RQE em Geriatria pelas duas vias, AMB e CNRM?
Significa que o médico concluiu residência médica credenciada pela CNRM/MEC em Geriatria e também obteve o título pela prova de título de sociedade médica reconhecida pela AMB. É o grupo “Ambos”, 55,9% dos geriatras registrados, a maior das três fatias, e não deve ser confundido com “nenhuma das duas vias”.
Por que a maioria dos geriatras também tem RQE em Clínica Médica?
Porque a SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) exige título de base em Clínica Médica como pré-requisito documental para a via de prova de título em Geriatria. Isso explica por que 2.436 dos 3.167 geriatras registrados, cerca de 77%, também têm RQE em Clínica Médica.
Geriatria é uma especialidade em crescimento no Brasil?
Sim. O número de especialistas em Geriatria passou de 662, em 2011, para 3.167, em 2024, um crescimento de +378,4%, a 7ª maior taxa entre as 55 especialidades listadas na Tabela 6 da Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 211-213).
Onde há mais geriatras registrados no Brasil?
A maior concentração está no Sudeste (58,1% do total nacional) e em capitais (65,1% do total nacional). Municípios do interior com até 100 mil habitantes concentram apenas 0,4% dos geriatras registrados, segundo a mesma fonte (p. 380).
Conclusão
O retrato de quem já tem RQE em Geriatria no Brasil, segundo a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025), é de uma especialidade pequena em número absoluto (3.167 especialistas, 0,7% do total do país), majoritariamente feminina, concentrada no Sudeste e nas capitais, com forte ligação estrutural com a Clínica Médica e em franco crescimento na última década e meia (+378,4% entre 2011 e 2024). Este artigo descreveu o estoque atual com citação de página exata em cada afirmação, sem inferir demanda de mercado nem recomendar a entrada na especialidade, dado que a fonte não sustenta esse tipo de conclusão. Para entender o mecanismo de pré-requisito em cascata que explica a ligação com a Clínica Médica, veja médico com mais de um RQE, e para comparar o crescimento da Geriatria com o de outras 54 especialidades, veja especialidades que mais cresceram em RQE.
Perguntas frequentes
Quantos médicos têm RQE em Geriatria no Brasil?
3.167 especialistas têm RQE em Geriatria no Brasil, o equivalente a 1,49 especialistas por 100 mil habitantes e 0,7% do total de especialistas do país, segundo a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 380).
O que significa ter RQE em Geriatria pelas duas vias, AMB e CNRM?
Significa que o médico concluiu residência médica credenciada pela CNRM/MEC em Geriatria e também obteve o título pela prova de título de sociedade médica reconhecida pela AMB. É o grupo "Ambos", 55,9% dos geriatras registrados, a maior das três fatias, e não deve ser confundido com "nenhuma das duas vias".
Por que a maioria dos geriatras também tem RQE em Clínica Médica?
Porque a SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) exige título de base em Clínica Médica como pré-requisito documental para a via de prova de título em Geriatria. Isso explica por que 2.436 dos 3.167 geriatras registrados, cerca de 77%, também têm RQE em Clínica Médica.
Geriatria é uma especialidade em crescimento no Brasil?
Sim. O número de especialistas em Geriatria passou de 662, em 2011, para 3.167, em 2024, um crescimento de +378,4%, a 7ª maior taxa entre as 55 especialidades listadas na Tabela 6 da Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 211-213).
Onde há mais geriatras registrados no Brasil?
A maior concentração está no Sudeste (58,1% do total nacional) e em capitais (65,1% do total nacional). Municípios do interior com até 100 mil habitantes concentram apenas 0,4% dos geriatras registrados, segundo a mesma fonte (p. 380).


