
Médicos Especialistas por Estado: Onde Há Mais e Menos
Última verificação normativa: 22 de setembro de 2026
Médicos especialistas por estado é um dos recortes mais desiguais da Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025). O Distrito Federal tem 453,50 especialistas por 100 mil habitantes; o Maranhão, 68,22. Entre os dois extremos cabem as outras 25 unidades da Federação (UFs), e só 8 das 27 ficam acima da média nacional. Para quem já tem RQE (Registro de Qualificação de Especialista) ou está a caminho dele, a pergunta que vem em seguida é quase automática: onde há poucos especialistas há oportunidade? Este artigo mostra a tabela completa das 27 UFs, o recorte de cinco especialidades, a concentração nas capitais e onde se formam residentes hoje. E responde à pergunta da oportunidade com o que a fonte permite dizer, que é bem menos do que parece.
Onde há mais e menos médicos especialistas por estado
O Distrito Federal tem a maior densidade de médicos especialistas do país, com 453,50 por 100 mil habitantes, seguido por São Paulo, com 244,19. No outro extremo estão o Maranhão, com 68,22, e o Pará, com 70,73. Os quatro números estão no painel “Principais achados” do capítulo 11 da Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 201) e se repetem na Tabela 9 (p. 220). A média nacional é de 184,36 especialistas por 100 mil habitantes (p. 220).
Uma contagem feita por nós, linha a linha, sobre a Tabela 9 mostra que só 8 das 27 UFs ficam acima dessa média: Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Santa Catarina, Minas Gerais e Paraná. As 19 restantes ficam abaixo. Todas as 8 estão no Sul, no Sudeste ou são o próprio DF.
Antes de ler qualquer número desta página, vale saber o que a razão conta. O numerador não é o número de pessoas: é o número de registros de especialistas em cada UF, que soma 391.909 no país (Scheffer, 2025, p. 220). A fonte explica a regra: “o especialista com registro em mais de um CRM é considerado em cada UF” (p. 203). Um especialista inscrito no CRM (Conselho Regional de Medicina) de dois estados entra na conta dos dois. A diferença entre indivíduos, títulos e registros está detalhada no panorama de quantos médicos têm RQE no Brasil, que deixou o recorte por estado para este artigo.
Um exemplo concreto dá a escala. Com 453,50 por 100 mil, o Distrito Federal tem cerca de 4,5 registros de especialista para cada mil moradores. Com 68,22, o Maranhão tem menos de 0,7 para cada mil. Pelo nosso cálculo, a razão do DF é 6,6 vezes a do Maranhão.
Médicos especialistas por estado: a tabela completa das 27 UFs
A tabela abaixo transcreve inteira a Tabela 9 do capítulo 11, que traz os médicos especialistas por estado, na ordem da fonte (Scheffer, 2025, p. 220). A coluna “Especialistas” é contagem de registros na UF; a coluna “Razão” é taxa por 100 mil habitantes. As duas medem coisas diferentes e não devem ser lidas como se fossem a mesma.
| UF | População | Especialistas (registros na UF) | Razão por 100 mil hab. |
|---|---|---|---|
| Distrito Federal | 2.982.818 | 13.527 | 453,50 |
| São Paulo | 45.973.194 | 112.262 | 244,19 |
| Rio de Janeiro | 17.219.679 | 40.851 | 237,23 |
| Rio Grande do Sul | 11.229.915 | 26.327 | 234,44 |
| Espírito Santo | 4.102.129 | 9.075 | 221,23 |
| Santa Catarina | 8.058.441 | 16.986 | 210,79 |
| Minas Gerais | 21.322.691 | 42.804 | 200,74 |
| Paraná | 11.824.665 | 22.775 | 192,61 |
| Mato Grosso do Sul | 2.901.895 | 5.216 | 179,74 |
| Goiás | 7.350.483 | 12.283 | 167,10 |
| Sergipe | 2.291.077 | 3.520 | 153,64 |
| Paraíba | 4.145.040 | 6.187 | 149,26 |
| Rio Grande do Norte | 3.446.071 | 4.733 | 137,34 |
| Pernambuco | 9.539.029 | 12.978 | 136,05 |
| Mato Grosso | 3.836.399 | 5.193 | 135,36 |
| Tocantins | 1.577.342 | 2.130 | 135,04 |
| Alagoas | 3.220.104 | 4.017 | 124,75 |
| Ceará | 9.233.656 | 11.353 | 122,95 |
| Rondônia | 1.746.227 | 2.146 | 122,89 |
| Bahia | 14.850.513 | 17.128 | 115,34 |
| Piauí | 3.375.646 | 3.777 | 111,89 |
| Roraima | 716.793 | 784 | 109,38 |
| Amapá | 802.837 | 721 | 89,81 |
| Acre | 880.631 | 745 | 84,60 |
| Amazonas | 4.281.209 | 3.480 | 81,29 |
| Pará | 8.664.306 | 6.128 | 70,73 |
| Maranhão | 7.010.960 | 4.783 | 68,22 |
| Brasil | 212.583.750 | 391.909 | 184,36 |
Conferimos a tabela antes de publicar: recalculando registros divididos pela população, as 27 razões batem com a fonte, e as somas das colunas batem com a linha Brasil.
Três leituras saem dela. A primeira é que o Distrito Federal está fora da curva. Sem ele, a distância entre a UF mais bem servida (São Paulo, 244,19) e a menos (Maranhão, 68,22) cai de 6,6 para 3,6 vezes, pelo nosso cálculo. Uma leitura possível, que é nossa e não da fonte, é que o DF é uma unidade essencialmente urbana; a própria fonte registra, em outra tabela, que “não se aplica o conceito de capital no DF” (p. 222).
A segunda é que o ranking de especialistas repete o de médicos em geral. A fonte diz isso com todas as letras: o ranking por 100 mil habitantes “é semelhante à distribuição desigual dos médicos em geral” (Scheffer, 2025, p. 219). Na métrica de médicos por mil habitantes, que é outra escala e outra base (registros nos CRMs), o DF também lidera, com 6,28, e o Maranhão também fecha a lista, com 1,27 (Tabela 3, p. 48).
A terceira é que a desigualdade não está só na quantidade, mas na composição. O percentual de especialistas sobre o total de médicos da UF “varia de 72,2% no Distrito Federal e 67,9% no Rio Grande do Sul a 46,5% em Rondônia e 45,1% no Piauí” (Scheffer, 2025, p. 220). Em Rondônia e no Piauí, portanto, a maior parte dos médicos registrados não tem título de especialista.
Capital ou interior: onde os especialistas ficam dentro de cada estado
Dentro de cada estado, a concentração muda muito de uma UF para outra. A Tabela 10 do capítulo mostra qual fatia dos especialistas de cada estado tem a capital como município de domicílio (Scheffer, 2025, p. 222). No topo, Manaus reúne 95,5% dos especialistas do Amazonas, Boa Vista 93,2% dos de Roraima, Aracaju 91,6% dos de Sergipe e Macapá 90,3% dos do Amapá. No outro extremo, Florianópolis concentra 31,1% dos especialistas de Santa Catarina e Belo Horizonte, 38,3% dos de Minas Gerais.
Nos dois estados com menor densidade, a capital pesa bastante: São Luís concentra 75,2% dos especialistas do Maranhão, e Belém, 71,9% dos do Pará (p. 222). Em São Paulo, a capital fica com 51,0%.
A própria fonte pede cautela na leitura. Em paráfrase fiel da p. 221: essas discrepâncias devem ser analisadas com ressalvas, porque a localização dos serviços de atenção especializada, organizados em rede regionalizada, e o deslocamento de médicos que atuam no interior e em regiões metropolitanas, ainda que residam na capital, também pesam no número (Scheffer, 2025, p. 221). Um especialista que mora em São Luís pode atender, parte da semana, em outra cidade do estado. A tabela mostra o município de domicílio informado, não a agenda.
Um cuidado técnico: a base desta tabela é um pouco diferente da Tabela 9, por isso usamos só os percentuais, e não os totais por UF.
Médicos especialistas por estado em cinco especialidades: o padrão se repete, com uma exceção
A desigualdade de médicos especialistas por estado se repete em quatro das cinco especialidades que a Demografia Médica analisou por UF. A fonte escolheu Clínica Médica, Medicina de Família e Comunidade (MFC), Cardiologia, Pediatria e Ginecologia e Obstetrícia (GO) para o recorte por UF (Scheffer, 2025, p. 222). Um aviso antes dos números: Pediatria é calculada por 100 mil habitantes de 19 anos ou menos, e GO por 100 mil mulheres. Esses dois denominadores são diferentes dos demais, e as razões não se comparam entre especialidades.
- Clínica Médica (Tabela 11, p. 223): média nacional de 30,47 por 100 mil habitantes, com “19 estados” abaixo dela. O DF tem 96,02; o Pará, o menor valor, 11,23. Amapá, Amazonas, Acre, Maranhão e Pará “têm densidade menor que 15” (p. 224).
- Cardiologia (Tabela 13, p. 225-226): média de 10,56. DF com 29,10, Rio de Janeiro com 15,20 e Rio Grande do Sul com 13,43. Nove estados do Norte e do Nordeste têm “menos de seis cardiologistas por 100.000 habitantes” (p. 225); o menor é o Pará, com 3,37.
- Pediatria (Tabela 14, p. 226-227): média de 94,72 pediatras por 100 mil habitantes de até 19 anos. DF com 258,35; Amapá, Amazonas, Acre, Pará e Maranhão “todos com razão menor que 40” (p. 226). O menor é o Maranhão, com 27,98.
- Ginecologia e Obstetrícia (Tabela 15, p. 228): média de 37,07 por 100 mil mulheres, com “18 estados” abaixo (p. 227). DF com 91,96; Maranhão com 15,03, o menor.
A exceção é a Medicina de Família e Comunidade (Tabela 12, p. 224). O DF continua no topo, com 19,11, e o Maranhão no fim, com 2,40. Mas a ordem do meio muda: “Paraíba (11,72 especialistas por 100.000 habitantes) e Tocantins (10,71) estão mais bem posicionados na oferta de Medicina de Família e Comunidade do que Rio de Janeiro (9,91), Minas Gerais (9,88) e São Paulo (6,77)” (Scheffer, 2025, p. 225). São Paulo, segundo colocado na densidade geral, fica abaixo da média nacional de MFC, que é 8,04.
O exemplo mostra por que o ranking geral não serve de atalho para uma especialidade específica. Um médico de família que olhasse só a Tabela 9 imaginaria São Paulo muito à frente da Paraíba. Na sua especialidade, a relação se inverte. Para as outras 50 especialidades, a fonte não publica razão por UF: o Atlas por especialidade traz a distribuição por grande região e por porte de município, como no retrato de quem tem RQE em Geriatria, mas não desce até o estado.
Onde se formam especialistas por residência nos estados dos extremos
A formação por residência também está concentrada, e nos mesmos lugares. O Atlas das UFs da Demografia Médica traz, para cada estado, quantos programas de Residência Médica (RM) existiam e quantos médicos estavam cursando residência (R1 a R5) em 2024:
- Brasil (p. 306): 5.631 programas, 47.718 residentes, 22,45 residentes por 100 mil habitantes.
- Distrito Federal (p. 314): 163 programas, 1.597 residentes, 53,54 por 100 mil.
- São Paulo (p. 332): 1.340 programas, 14.929 residentes, 32,47 por 100 mil.
- Pará (p. 321): 90 programas, 726 residentes, 8,38 por 100 mil.
- Maranhão (p. 317): 54 programas, 378 residentes, 5,39 por 100 mil.
Em números absolutos, São Paulo tinha mais residentes do que o Maranhão tinha registros de especialistas de todas as áreas somadas (14.929 residentes contra 4.783 registros, p. 332 e p. 220). São contagens de naturezas diferentes, e a comparação serve só para dar escala.
Duas ressalvas impedem que isso vire uma explicação. A primeira: o capítulo 11 não afirma que a falta de vagas de residência causa a baixa densidade de especialistas; a justaposição é nossa. A segunda: a residência credenciada pela CNRM (Comissão Nacional de Residência Médica) é só uma das duas vias do título que vira RQE. A outra, a prova de título das sociedades vinculadas à AMB (Associação Médica Brasileira), não aparece nesse painel por estado. O peso de cada via, especialidade a especialidade, está no raio-x de RQE por prova de título ou residência.
Estado com poucos especialistas é oportunidade para quem tem RQE? O que o dado permite dizer
A resposta honesta é que a Demografia Médica não mede oportunidade, nem para quem já tem RQE, nem para quem está a caminho dele. Ela mede quantos especialistas estão registrados em cada UF em relação à população. Densidade baixa é um fato de estoque; transformar isso em “há vaga”, “há demanda” ou “se ganha mais” exige dados que a fonte não traz.
O que falta, especificamente:
- Parâmetro de quanto seria o suficiente. Nas Considerações finais, a própria fonte registra que “não há respostas definitivas sobre o número ideal de médicos em cada uma das 55 especialidades” (Scheffer, 2025, p. 298). Sem esse parâmetro, 68,22 por 100 mil é pouco em relação à média e aos outros estados, mas não em relação a uma meta definida. As 55 especialidades são as da relação oficial vigente, homologada pela Resolução CFM nº 2.380/2024.
- Vagas, contratos e demanda de serviços. O capítulo não traz nenhum dado de postos de trabalho abertos por UF ou por especialidade.
- Público ou privado. A fonte menciona que há desigualdade de pediatras e ginecologistas entre os setores público e privado, mas diz que isso não é foco da seção (p. 226). Não há percentual por estado de quem atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
- Renda por especialidade. A Demografia Médica traz renda declarada por estado apenas para médicos em geral, sem quebra por especialidade; esse recorte está no artigo sobre quanto ganha um médico no Brasil. Não há, na fonte, como dizer que um cardiologista ganha mais no Pará do que em São Paulo, ou o contrário.
- Onde o médico de fato atende. Como mostrou a seção sobre capitais, nem a inscrição no CRM nem o município de domicílio dizem em que cidade o especialista atende.
Um exemplo concreto separa o que dá e o que não dá para afirmar. Pode-se dizer, com a fonte na mão, que o Pará tem 3,37 cardiologistas por 100 mil habitantes, contra 13,25 em São Paulo (Tabela 13, p. 225). Não se pode dizer, com a mesma fonte, que um cardiologista que se mude para o Pará vai ter mais pacientes, melhor remuneração ou vaga garantida. A densidade é um ponto de partida para quem quer investigar uma região; a decisão depende de informação local que nenhum censo nacional substitui.
Conclusão
O mapa dos médicos especialistas por estado é desigual e consistente: o Distrito Federal lidera com 453,50 por 100 mil habitantes, o Maranhão fecha com 68,22, e só 8 das 27 UFs superam a média de 184,36 (Scheffer, 2025, p. 220). O desenho se repete em Clínica Médica, Cardiologia, Pediatria e GO, com a Medicina de Família e Comunidade como exceção parcial, e se reforça dentro dos estados, onde capitais como Manaus e São Luís concentram a maior parte dos especialistas do estado. O que esse mapa não mostra é onde há vaga, demanda ou renda maior para quem tem RQE: a fonte mede densidade, e este artigo não vai além dela. Para o retrato geral do censo, veja quantos médicos têm RQE no Brasil; para a via de obtenção do título em cada especialidade, veja RQE por prova de título ou residência.
Este conteúdo é informativo e não substitui aconselhamento de carreira individualizado. Dados conferidos na Demografia Médica no Brasil 2025 em 22/09/2026.
Perguntas frequentes
Qual estado tem mais médicos especialistas por habitante?
O Distrito Federal, com 453,50 especialistas por 100 mil habitantes, seguido por São Paulo (244,19), Rio de Janeiro (237,23) e Rio Grande do Sul (234,44), segundo a Tabela 9 da Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 220). A razão conta registros de especialistas em cada UF, não indivíduos.
Qual estado tem menos médicos especialistas?
O Maranhão, com 68,22 especialistas por 100 mil habitantes, seguido pelo Pará (70,73) e pelo Amazonas (81,29), segundo a Demografia Médica no Brasil 2025 (Scheffer, 2025, p. 219-220). O Maranhão também tem a menor razão de médicos em geral, 1,27 por mil habitantes (p. 48).
Quantos especialistas por 100 mil habitantes tem o Brasil?
A média nacional é de 184,36 especialistas por 100 mil habitantes, calculada sobre 391.909 registros de especialistas nas UFs e 212.583.750 habitantes (Scheffer, 2025, p. 220). Pela nossa contagem sobre a mesma tabela, só 8 das 27 UFs ficam acima da média, todas no Sul, no Sudeste ou o DF.
Onde faltam mais médicos especialistas no Brasil?
Os menores índices estão no Norte e em parte do Nordeste. Maranhão, Pará, Amazonas, Acre e Amapá ficam abaixo de 90 especialistas por 100 mil habitantes (Scheffer, 2025, p. 220), e os mesmos estados aparecem no fim das tabelas de Clínica Médica, Pediatria e Cardiologia (p. 223-227).
Densidade baixa de especialistas significa mais vagas ou renda maior?
Não necessariamente, e a fonte não permite afirmar isso. A Demografia Médica no Brasil 2025 mede especialistas por habitante, não vagas, demanda ou renda por especialidade, e registra que "não há respostas definitivas sobre o número ideal de médicos" em cada especialidade (Scheffer, 2025, p. 298).


